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Amor é...

Merecer que nos respondam de forma clara e sem rodeios, quando descarrilamos.


Amar é uma grande responsabilidade, não aconselho ninguém a fazer tamanha escolha com ligeireza.

Love is a dirty place



Eu, tia de 2 magníficos e inteligentes rapazes que estão a largar a fralda, posso, depois de um fim-de-semana sozinha a cuidar deles, afirmar com toda a certeza que sim, o amor é mais forte que o cocó.

Amor é...

Este fim-de-semana estive com algumas amigas, todas elas casadas e algumas com filhos, e aproveitámos para pôr a conversa em dia.
Inevitavelmente a conversa foi dar aos homens. Ouvi-as falar sobre os seus problemas domésticos, as manias deles, como são sempre as mesmas a abdicar de algum tempo para elas porque têm, para além do trabalho, os filhos, a casa e o marido, e de como eles nunca deixam de fazer aquilo que gostam.
A palavra egoísta foi uma constante nessa tarde.
Enquanto as ouvia falar lembrei-me do meu pai, já passaram vários anos mas por mais que me esforce não consigo recordar algum acto de egoísmo da parte dele, muito pelo contrário.
Atenção, não digo que o meu pai fosse um santo, era um homem com qualidades e defeitos, era humano, muito humano. Não tinha medo de admitir os seus erros, mesmo perante os filhos, estava em constante evolução e era sedento de conhecimento.
Sempre o vi a ajudar lá em casa apesar de ter um trabalho que lhe tomava muito do seu tempo.
Quando tinha algum tempo livre levava as filhas a passear, tínhamos longas conversas sobre tudo e sobre nada, mais tarde ensinou-nos a conduzir, trocar pneus, fazer ligação directa e como meter K.O. quem se metesse connosco! Ao final do dia levava-nos à beira rio e bebíamos uma Spur cola a ver o pôr-do-sol! Aaaah… aquilo é que era qualidade de vida!!!
Tudo isto para estar um pouco com as “miúdas” enquanto a minha mãe aproveitava para ter algum tempo só para ela, longe dos “encargos”.
Já me disseram que o meu pai “estragou-me” para os outros homens, o que é um absurdo.
O meu pai criou as filhas para serem mulheres fortes, que pensam por si, que não baixam os braços facilmente, ensinou-nos o gosto pelo trabalho bem feito, a rectidão, a respeitar os outros, a generosidade, sem nunca esquecermos quem somos e o nosso próprio valor, a viver a vida de modo a que, no fim do dia, nos pudéssemos encarar e orgulharmo-nos do que víamos.
Não consigo conceber que pessoas fantásticas, como as minhas amigas, se anulem constantemente, que se preocupem em tornar-se naquilo que o outro quer com medo de o perder, medo esse muitas vezes injustificado.
Ver o efeito que algumas palavras têm sobre elas, levando-as a duvidar, e mesmo a esquecer o seu próprio valor. Deixarem-se estar em situações que não gostam, que as deprimem, sem dizer nada.
Como é que elas chegaram a esse ponto?
Serão elas que criam estas situações?

Amor é…
Não ter medo de dizer Chega! Esta situação não é boa para mim.
Basta! Não quero mais ser aquela que se priva de tudo.
Não vou deixar que a forma como me vês altere a percepção que tenho de mim.
Basta! Não me excluas, quero participar e assumir as minhas responsabilidades.
Evoluir Juntos.